O FESTIVAL DE MÚSICA CATÓLICA – HALLELUYA

A viagem iniciou no dia 23 de julho de 2019 às 4:57 da manhã, partindo da Boca da Mata, Cajazeiras, são mais ou menos 1148 Km para o destino final, mas estava programado duas paradas, uma para troca de condutor e outra para descansar, onde os condutores foram Pe Francisco Ambrósio, M.Afr e eu (Noldenval Santana). Começamos a viagem fazendo uma oração dentro do carro pedindo proteção a Deus no trajeto, que neste momento eu era o condutor do veículo. A primeira parada foi na cidade de Euclides da Cunha – Ba, fizemos a troca de condutor e numa cidade vizinha, chamada Bendengó almoçamos. Na estrada aprendi muitas coisas, pois se tratava da viagem mais cumprida que fiz até então, vimos a beleza de toda criação do nosso Deus, paisagens lindas, Igrejas lindas, animais, muitos deles às margens da estrada e quê muitas vezes ficaram pelo caminho por estar envolvido diretamente em acidentes. Quando deu 18:44 do mesmo dia chegamos na cidade do Ceará, Brejo Santo á 683 Km de Salvador, lá fizemos a segunda parada, para dormir, a fim de descansar para seguir viagem no outro dia. Após escolher as acomodações saímos para conhecer um pouco da cidade e jantar, durante o caminho percebemos que a Igreja Matriz estava em festa ao Sagrado Coração de Jesus, logo estranhamos, pois a festa do mesmo foi em junho na nossa comunidade, mas fomos participar, lá encontramos muitas coisas bonitas, vimos a fé que o povo tinha pelo Sagrado Coração de Jesus, vimos também muitos jovens trabalhando em várias pastorais, inclusive crianças na pastoral da acolhida, foi o que me chamou bastante a atenção, continuamos a caminhar pela quermesse e encontramos uma barraca onde tinha muitos jovens vendendo crepes, cachorros quente, refrigerantes, etc… para ajudar a organizar o EJC – Encontro de Jovens com Cristo. Foi uma experiência muito boa, gostei de ver a disposição dos jovens e dedicação no trabalho focados no objetivo de buscar a Cristo.

No dia seguinte, 24 de julho, seguimos viagem às 8:10, agora com uma parada para troca de condutor e almoçar, mais uma vez eu saí dirigindo, pedimos proteção a Deus com oração e seguimos em frente, rumo a Fortaleza. Durante a viagem vimos a triste realidade das condições das vias esburacadas e famílias inteiras, pai, mãe, filhos, inclusive as crianças com pouco mais de 6 anos… fazendo o serviço de “tampar” os buracos com terra para ganhar um “trocado” e assim levar o pão de cada dia para casa. Encontramos umas irmãs, freiras, que estavam envolvidas no atropelamento de um jumento, mas graças a Deus elas estavam bem, porém o animal não soubemos ao certo como estava, enfim Deus estava nos mostrando tudo aquilo que Ele nos deu e que pode nos dar. Chegamos à Fortaleza e fomos direto para o local, CEU – Condomínio Espiritual Uirapuru – onde foi organizado o Festival Halleluya, lá, inicialmente fomos acolhidos pela equipe de acolhimento para os padres que iriam trabalhar no Espaço da Misericórdia, local reservado para adoração ao Santíssimo Sacramento, atendimento espiritual, aconselhamento e confissões durante todo o evento.

Já na chegada fomos acomodados na casa de uma família da comunidade católica Shalom, Dona Michelle e Dr. Diogo Farias, o casal possuem 4 filhos, 2 meninas: Mariana e Manuela, dois meninos: Felipe e Rafael, todos com apelidos carinhosos dado por dona Michelle, são eles: Mariana “banana”, Manuela “panela”, Felipe “Jeep”, Rafael “papel”, essa pequena convivência com a família foi a melhor experiência que tive durante a viagem, pois o modo de vida deles, o carinho entre eles eram algo que sonhei pra mim naquele instante. Durante as refeições conversávamos muito sobre a vida de Igreja, sobre a vida na Comunidade Católica Shalom, sobre a bíblia, etc… e numa conversa dessa no café da manhã, dona Michelle me perguntou se eu teria “vivido um momento de céu aqui na terra” e respondi que sim, pois na apresentação da minha esposa, feita pelo próprio Senhor Deus, teria passado por essa experiência, mas não sabia que estava vivendo outro momento de céu durante a estadia, convivi mais tempo com o Felipe de 6 anos, participei de “batalhas com dragões feitos de Lego”, onde ele mostrou ser um grande estrategista e roteirista, apesar da pouca idade, foi impressionante o nível de imaginação que ele conseguia atingir, aprendi muito com ele.

O Festival Halleluya aconteceu entre os dias 24 a 28 de julho com grandes nomes da música católica, entre eles: Missionário Shalom, Adriana Arydis, Pe Fábio de Melo, Rosa de Saron, etc… foram dias que vivi a experiência de sentir a fé do povo, ver a necessidade de obter o perdão, através do sacramento da confissão, a alegria de servir o Senhor vinda dos membros da Comunidade Católica Shalom, ver que mesmo passando a noite trabalhando eles estavam no dia seguinte com o mesmo sorriso no rosto, com a mesma disposição e cuidado com as tarefas necessárias para o evento acontecesse. Não vi confusão, nem brigas durante todo o evento, um acontecimento muito especial, onde o foco foi Cristo, buscar Cristo através da música, de esporte, pois lá também tinha um local reservado para juventude, tinha um local reservado para as crianças, chamado espaço Kids… Vi muitas pessoas irem com barracas para acampar, sinalizando que não queria sair dali até acabar, embora o Festival também é conhecido como “A festa que nunca acaba”, realmente ela não acaba, pois permanece nos nossos corações esperando o próximo ano, onde é renovado todo este exercício de fé.

Depois de tanto aprendizado e de alegrias tivemos que retornar para casa, Salvador. E lá minha família e minha esposa, Eliane, me aguardava com muita saudade, foi mais uma experiência direcionada por Deus, bom no dia 29 de julho iniciamos o retorno, vimos estradas com campos secos e verdes em sua marginal, cada um com sua beleza particular, pegamos engarrafamentos, buracos, obras na pista de tudo um pouco. Tínhamos combinado de fazer duas paradas, como estávamos fazendo desde o início da missão e uma das paradas foi na cidade de Caicó – RN, lugar muito bonito e com uma religiosidade grande, infelizmente não tivemos a sorte de pegar a festa da padroeira Nossa Senhora de Santana, esta festa percorreu a cidade com estimadas 30 mil pessoas seguindo o andor com Santana, almoçamos e seguimos, chegamos a uma cidade belíssima chamada Santa Luzia – PB, tinha um monte onde lá no alto há uma cruz e atrás dessa cruz uma torre, subimos os degraus da escadaria e lá fizemos um momento de oração por todos que estavam lá em baixo na cidade, pelos sacerdotes, pelos doentes, enfim pedimos a Deus proteção e agradecemos por tudo que testemunhamos durante a viagem, bem passamos por Campina Grande – PB e  nosso destino final do dia a cidade de Toritama, onde dormimos e fizemos compras antes de voltar para a estrada, lugar interessante para fazer compras de roupas, muito barato.

No dia 30 de julho saímos de Toritama- PE e seguimos com destino de Salvador, finalmente. Peguei a direção até a cidade de Propriá – SE, onde fizemos a troca de motorista, ao chegar na Linha Verde, já na Bahia tivemos um susto quando do nada ficamos quase sem combustível e ao procurar um posto aberto não encontrávamos, os olhos não saiam do ponteiro do tanque de combustível, foi um momento em que pedia a Deus um restinho de combustível para pelo menos chegar na casa de uma família amiga que mora em Praia do Forte e Deus ouviu nosso pedido, não sei quanto ao Padre, mas eu pedia isso… parecia que Deus emburrava o carro a cada metro, nunca fiquei tão preocupado na estrada.

 

Contudo foi uma viagem que vou levar para a vida, na espiritualidade, na experiência em estrada, pois essa foi a maior distância que percorri com carro, só tenho a agradecer a Deus pela oportunidade de crescer e o aprendizado que tive. O interessante que passei pela maioria dos Estados da Região Nordeste em uma semana, pois saímos de Fortaleza – CE, Mata Fresca – RN, Santa Luzia – PBToritama – PEUnião dos Palmares – ALPropriá-SE Itanhi – BA, faltando dois para completar a região, são os estados do Maranhão e Piauí. Fica para uma próxima vez.

Val Santana
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