JMJ: UMA PEREGRINAÇÃO REPLETA DE BENÇÃO E DE APRENDIZAGEM

A Jornada Mundial da Juventude aconteceu entre os dias 22 a 27/01/2019 no Panamá

 

 

“EIS AQUI A SERVA DO SENHOR, FAÇA-SE EM MIM SEGUNDO A TUA PALAVRA.” (Lc1, 26-38)

Ao voltar da Jornada Mundial da Juventude, algumas pessoas me perguntaram: como foi lá? Você gostou? Você viu o Santo Padre? Parei um pouco e elaborei algumas coisas para dizer. A Jornada tem uma programação que oferece momentos de catequeses, eventos culturais, celebrações (Via-Sacra, a Vigília dos jovens, a missa de Envio) e momentos de partilha. Como peregrino desta XXXIV Jornada, proponho fazer uma pequena partilha sobre o que eu vi, escutei e vivi no Panamá. Para isso, irei usar a dinâmica do olhar, a peregrinação, a partilha, o envio, o rosto jovem de Jesus.

  1. O Olhar: Os primeiros encontros de pessoas, culturas e nacionalidades diferentes começam com um olhar bem simples. Pode ser olhar de surpresa ou de desconfiança. Não foi diferente comigo. No meu primeiro dia, fiquei meio perdido e acabei olhando as pessoas com um olhar estrangeiro. Escutava pessoas falando línguas que nunca tinha ouvido, e outras com uma linguagem familiar. Para aqueles que eu não podia me comunicar devido à barreira lìnguistica, eu simplesmente acenei para eles e às vezes sorria. Através disso, eu percebi que a diferença de línguas não pode constituir uma barreira entre nós, basta um pequeno gesto para quebra o gelo do estrangeirismo.

Percebendo, com isto, que muitos jovens já levam lembrancinhas para serem trocadas com outros. Também assinam a bandeira do país amigo. Essa troca simbólica permite um diálogo de coração a coração.

  1. A Peregrinação: Para mim essa peregrinação foi uma experiência de alegria, um momento de ir ao encontro de outros lugares, de outras pessoas. Como dizia Dom Orani durante a catequese do dia 24/01/19, “O caminho foi um dos primeiros nomes que os cristãos deram à sua nova vida de convertidos a Jesus. A Jornada Mundial da Juventude por ser uma peregrinação, quer recordar e retomar essa inspiração primeira. Quem está em peregrinação está procurando, buscando.” A cada dia se andavam muitos quilômetros tanto para se chegar no local da celebração e de catequese como voltar para onde se estava hospedado. A imagem dos jovens indo e vindo na cidade de Panamá era um retrato claro de um ensaio, mesmo inconsciente, para uma fé no caminho de Jesus.
  1. Esta Es la Juventude del Papa: O clima vivido pelos jovens peregrinos era de empolgação. Vi muitos jovens, com suas bandeiras, caminhando pelas ruas de Panamá City com alegria transbordando pelos rostos. Ouvia-se os cantos: “HE AQUÍ LA SIERVA DEL SEÑOR, HÁGASE EN MÍ SEGÚN TU PALABRA.”  E onde estivesse jovens brasileiros ouvia se o grito, “Eu sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor”. “ESTA ES LA JUVENTUDE DEL PAPA” era o grito que se escutava vindo das multidões dos jovens em todos os cantos da cidade e mais quando os jovens estavam reunidos para uma celebração com o Bispo de Roma. Quando um grupo cantava, todos acompanhavam cantando com muita emoção. Uma prática que me chamou mais atenção foi o banho da peregrinação. Os moradores daquele local esperavam em frente das casas com canos de água para regar os peregrinos enquanto seguiam sua jornada. Era uma forma de matar o calor.
  1. A partilha: Gestos de partilha eram presentes em toda a jornada. Com isto percebi que o gesto de partilhar está presente em todas as nações, e no mesmo instante lembrei-me de uma expressão comum aqui no Brasil “você acolhe e é acolhido.” Na noite da vigília, fiquei ao lado de jovens da Inglaterra, França, Angola, Venezuela, Paquistão, Congo, Argentina e outras nacionalidades que nem cheguei a identificá-las. Vivemos horas de compartilhamento sobre a Jornada e sobre a vida. Foi nesse contexto que aprendi informações interessantes sobre esses países e seu povo. Tomei conhecimento que, no Paquistão, existe apenas 2% de católicos. Foi um momento também para mim de falar sobre a África e suas culturas. Muitos ainda ficam pensando que a África é um país, que só existe pobreza e miséria. “Você é africano! Oh Nossa Senhora!” clamou uma amiga da Argentina. Que aula de cultura!  Essa dimensão do compartilhar levou-me a viver momentos inesquecíveis. Era inevitável também a troca de endereços eletrônicos com a finalidade de manter contatos e preservar a amizade.
  1. Batizados e Enviados Anunciar a Boa Nova: Após tantas experiências riquíssimas, o Papa Francisco encerrou a XXXIV Jornada com uma missa de envio como de costume. Isso encaixa bem com o tema escolhido pelo Papa para esse ano de 2019, “Batizados e enviados a Igreja de Cristo em missão no mundo.” O envio tem um contexto bíblico belíssimo. Durante sua catequese, o Arcebispo de Rio de Janeiro Dom Orani explicou as origens da Missa de Envio: O povo da Bíblia, após as peregrinações, voltava para casa contente e agradecido a Deus pelas maravilhas testemunhadas e celebradas. No coração, levava a certeza de que era amado por Deus e, na mente, a disposição de comprometer-se mais seriamente com a aliança que acabava de renovar na presença do Senhor. Ele acrescentou que essa disposição é muito importante, pois o êxito da Jornada Mundial da Juventude está no compromisso de passar para outros jovens em seus países o que viveu e sentiu. Ele terminou convidando os jovens peregrinos a serem como o profeta Elias, que, depois de uma forte experiência com Deus na sua jornada ao monte Horeb, retomou o caminho de volta para continuar a sua missão.
  1. A Juventude: O Rosto Jovem de Jesus: A experiência da Jornada alargou meu campo de visão, eu nunca mais serei o mesmo. Eu voltei com um entusiasmo contagiante. Isso porque vivi momentos muito significativos e marcantes. Experiências como dormir num alojamento sem colchonete e sem banheiro foi marcante para mim. Conheci jovens de dezenas países. Vi uma Igreja mais viva e jovem, disposta a enfrentar todos os desafios. Minha maior alegria foi o encontro com os paquistaneses; isso me alegrou imensamente. Pela primeira vez, eu vi o Papa bem pertinho, uma oportunidade rara.  

Já voltando de Panamá City, viajei no mesmo avião com um jovem do Haiti e perguntei para ele o que mais lhe tocou durante a Jornada. Ele prontamente me respondeu: “regarde, ce qui ma plus marqué fut l’amour et la simplicité des jeunes” (olha, o que mais me tocou foi o amor e a simplicidade dos jovens). Um outro jovem de Salvador me falou com entusiasmo que, voltando para Salvador vai começar a frequentar a comunidade Shalom, e que vai procurar se relacionar com uma menina da Igreja.  

Portanto a minha experiência na JMJ foi enriquecedora e surpreendente, a qual recorda-me de um ditado de minha terra (Burkina Faso) “Quando alguém aponta o dedo, aí o sábio vai olhar na direção para onde o dedo está apontando e os tolos olham para o dedo”. Queria deixar esse pensamento dos sábios antigos para você perceber que a direção do dedo é a identificação de Jesus com os jovens. A JMJ mostra ao mundo um rosto jovem.


Hado Mathieu

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