ESPIRITUALIDADE DO MARTÍRIO

Estamos sempre prontos a morrer pela causa do evangelho.
Uns 50 dos nossos missionários morreram de morte violenta pela causa do evangelho.
Somos herdeiros do testemunho do evangelho até o sangue. Ir para a missao é entregar-se totalmente a Deus.
"Não tem maior amor que doar a sua vida para seus amigos".
Os povos que evangelizamos são nossos amigos. A nossa fidelidade a Deus e aos povos é sem limites.
Nunca desistimos da missão por que como Cristo, alguns missionários e alguns dos nossos evangelizados derramaram o sangue deles pela causa do evangelho de Cristo.
Estamos presentes nos lugares de conflitos e de guerra sempre solidários da população que sofre. Os mártires de Uganda foram evangelizados por nós. Em fevereiro de 1878, a Santa Sé confiava a Sociedade dos Missionários de Nossa senhora da África a tarefa de penetrar no interior do Continente, para abrir dois centros missionários na zona dos grandes lagos. Logo no mês de junho, os dez missionários designados colocara-se em viagem, partindo de Bagamoyo, na costa africana do Oceano Índico. Fazendo juntos parte da longa viagem, cinco foram diretos ao lago Tanganica e cinco ao Vitória. Estes últimos,entre fevereiro e junho de 1879, conseguiram estabelecer-se em Buganda, atualmente parte do estado independente de Uganda. No ano anterior havia se instalado, também ali, uma missão anglicana. 
Não obstante as diferenças de mentalidade, a resistência do ambiente pagão e muçulmano e os momentos de tensão com a comunidade protestante, os missionários católicos conseguiram ganhar a confiança do rei Mutesa I que, todavia, não permitia aos missionários deslocação livre pelo país, ou permanência fixa longe da residência real. Era pois, ali mesmo na capital e na extensa corte do rei, que eram encontrados os primeiros seguidores do Cristianismo, entre os soldados, os servos e os pagens reais, muitos deles trabalhando com certa insatisfação e inquietude religiosa, o que os fazia olhar para além do animismo tradicional. Alguns, excepcionalmente bem dispostos, quiseram o batismo bastante cedo, em março e maio de 1880, enquanto se trabalhava na instrução de grupos bem consistentes de catecúmenos, formados espontaneamente, em outras regiões do reino. 
Todavia, os grandes do país, os ministros, os chefes, os representantes tradicionais da nobreza intuíram que o sucesso do cristianismo – empenho da missão anglicana e católica – traria profunda transformação à sociedade, nova concepção de autoridade, renovamento das relações entre as várias classes sociais; os seus privilégios e interesses seriam abalados. Com forte oposição e forte pressão sobre ânimo inconstante do rei, desejavam quebrar aquele movimento de conversão e expulsar ou eliminar os missionários. 
Em fins de 1882 os missionários católicos acharam oportuno deixar Buganda e retirar-se, momentaneamente, para o sul do lago, na espera de tempos melhores. A hostilidade dos grandes e a fraqueza do rei faziam-nos temer pela sorte dos cristãos e por sua própria vida. Partindo, deixaram em Buganda cerca de 20 batizados e 250 catecúmenos, que durante a ausência dos sacerdotes não só se mantiveram fieis, mas continuaram a difundir a religião que tinham abraçado. 
Tempos melhores para o cristianismo pareciam chegar dois anos mais tarde, com a morte de Mutesa e a subida ao trono do filho Mwanga, já simpatizante da missão e amigo pessoal do Padre Lourdel. Quando, solicitado por alguns conselheiros cristãos, ele se apressou em mandar uma verdadeira frota de barcos para trazer de volta “Mapera” (Padre Lourdel) e seus companheiros para Buganda, os missionários voltaram cheios de esperança e com pressentimento de que uma era de graças estava começando para a Igreja de Uganda. A narrativa que apresentamos mostrará como esta esperança não foi frustrada, embora se tenha concretizado em circunstancias bem diversas das que os missionários esperavam.